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Brigas

E tudo jura que não ficaram bravos,

E tudo erram, verbos, plural, amor.

E todos errados, estrelaça, ata forte

O sentimento, esquecem.

Quer falarem o que vêem e chora.

Sentir a gota de orvalhos, de música.

Mas a culpa, de quem seria as culpas, as mágoas,

Minhas, tuas, deles, nossas?

Dias, eterno, o brilho singelo prende, esquece,

Com todos o que ninguém deseja lembrar,

A brigas, horrendas, bobas, inocentes,

Ridículas, tão necessário, inútil, pungente,

Todos quer esquecer, mas sempre estará lá.

Blá blá blá

Fofinho, empolado,

Chato tipo… Bem chato,

Mas bem chato mesmo.

Só assim chato.

Mas não chato de chato,

Chato de bobo, fofinho.

Não exatamente empolado…

Aliás, o que significa isso?

Sei lá. Mas é uma palavra

Muito completa. Só chato.

Chato, fofinho, bobo,

Empolado, chato, chato.

As torneiras azuis eram acolchoadas,

E numa madrugada monótona

Começaram a cair do céu vermelho.

Caíram colorindo os sapos do lago

De um roxo fabulosamente perfeito.

E não só os sapos foram coloridos,

Como os pudins de açúcar mascavo

Também tiveram o gosto totalmente

Modificado, agora tinham gosto de

Creme e pedaços de laranja.

E Rosa, a menina mais feia da escola,

De óculos grandes de fundo de garrafa

E aparelho verde nos dentes, olhava tudo

Cair, mudar, transformar, sem entender

A impressionante mudança de cores.

Mas quem acreditaria na possibilidade

Disso tudo acontecer, se todos estavam

Absurdamente ocupados conversando

Sobre listras pretas e brancas.

Amor

Amor é uma palavra

Que nunca me definiu

Muito bem. Ou se definiu…

Definiu demasiadamente bem.

Mas sempre no exagerado

Êxtase do instante. Palpitou

Tão forte e devastador,

Soberano, que vibrava,

Transpassava meus pensamentos,

Minha aflição, em meu rosto.

Eu nunca tive um amor tranqüilo,

Os dias eram muito quentes,

Ou nevascas que me congelavam.

E eu dizia estar sempre bem,

Uma rainha digna de ser amada.

Agora eu o vejo, deitado em

Minha cama. Dormindo tão

Sereno, tão amável.

E solitária, uma mera observadora,

Eu entendo que encontrei

Algo para ser amado,

Uma estação calma e gentil

Que me envolve.

O sentimento mais puro

Que eu poderia encontrar,

Agora dorme em minha cama.

O sorriso mais doce, a graça minha.

A sensação ao caminhar solitária,

Minha paixão, egoísta, totalitária,

Que maternalmente me aninha.

Minha mão de mulher insensata,

E o coração tão profundo, leve,

Viram juntos pata e sentido, neve,

Selvagem, gelada, amiga ingrata.

Se rimas enfeitam o poema,

Quebro minha perfeita intenção,

Há música, única, libertação,

Numa simples mudança de tema.

Noite

Escura e fria, triste, triste.

Triste, triste, triste, triste,

Trágica, terrível.

Triste, triste e fria.

Triste e escandalosa,

Terrível, Horrível,

Mate-me logo, eu clamo.

Mate-me, deixe-me,

Triste.

Só triste e fria.

Triste, sem metade,

Sem caminho. Só triste.

Essa noite triste e fria.

Há uma esperança,

Um rápido suspiro,

Não. É apenas triste,

Fria, incompreensível,

Triste e fria.

A outra metade

Meu amor, meu amado.

Adorado pedaço de papel,

Sentido das palavras,

A simplicidade de seus lábios.

Gosto quando me fala de

Temas tão sem nexo

E tão sem contexto

Que fariam qualquer um dormir.

Eu gosto assim do seu jeito

De menino-homem,

De gente grande, sendo assim,

Tão bobo, tão pequeno.

E sim, o que eu mais gosto:

O jeito como pode rir

Das coisas mais inúteis.

Os comentários mais

Inocentes. Como ri da minha

Hipocrisia, como ri de mim.

Como me faz rir.

Eu te amo assim,

Sabendo que não quero abandonar,

Ou correr, ou gritar.

Aliás, até quero. Gritar de alegria,

De nostalgia, de agonia

Por não ter você aqui ao meu lado.

Quero gritar com você,

Amar, descobrir o infinito de um

Momento, de uma palavra.

Da sinceridade pura e eterna

Que se apoderou de mim.

Ah! É claro. O bolo de morango

Acabou. Quando voltar

Lembre-me de comprar mais.

Puntitá

Pipiripaqui piripaqui piripaqui piripaqui

Piripaqui patatipatapará.

Pararuru Pararuru Pararará pacatatatapuntitata.

Punti, puntitá!

Vim meu amor,

Vim te ver linda,

Vim querer,

Eu vim voando,

Vim correndo,

Vim todinha te enfeitar.

Meu puntitá de passarinho envergonhado,

Vem sorrindo alvoroçado

Esperando te encontrar.

Pipiripaqui piripaqui piripaqui piripaqui

Piripaqui patatipatapará.

Pararuru Pararuru Pararará pacatatatabumtitata.

Punti, puntitá!

Sempre te quero,

Sempre bela,

Sempre viva,

Meu amor, minha perdida,

Venha logo me amar.

E de peixinhos coloridos

A nadar nas minhas águas

Ternamente,

Me acompanham

Docemente

Até a espera terminar.

Pipiripaqui piripaqui piripaqui piripaqui

Piripaqui patatipatapará.

Pararuru Pararuru Pararará pacatatatabumtitata.

Punti, puntitá!

Em três estrofes de meus sonhos,

De meus versos,

Foram em vão todos os restos

De palavras sem sentido

Que me peguei a declamar.

Mas meu amor sei que está

Em algum pedaço,

Dessa terra, esse estilhaço

De paixão a me matar.

Estou aqui tão só e boba,

Tão fingida de entendida

Só sonhando em te tocar.

Pipiripaqui piripaqui piripaqui piripaqui

Piripaqui patatipatapará.

Pararuru Pararuru Pararará pacatatatabumtitata.

Punti, puntitá!

Poisé

Uma breve explicação. Hoje aconteceram coisas muito interessantes na faculdade. Fiquei muito chateada em descobrir a sala imbecil que eu tenho. Muita gente divertida, legal, interessante. Mas muitas pessoas totalmente sem limites, que acham muito engraçado rir da cara de pessoas que nem conhecem por motivo algum, se ainda fosse pelas costas, quem não fala mal de alguém? Mas não, no meio de uma apresentação de trabalho, total falta de respeita, falta de ética e consideração com o trabalho alheio. Muito bonito. O ápice foi a dupla final. A sala realmente me deprime com a falta de respeito durante as apresentações, e pior… A maior parte dos trabalhos não valem nem metade de muitos trabalhos que foram criticados, bem… Acontece… Possivelmente eu faça isso sem perceber também. O poema foi escrito para uma menina da minha sala, que veste rosa. Ela é chata pra caramba quando tenta me vender produtos, mas é gente fina (quando não tenta me vender produtos). Eu gosto dela, e acho muito chato o julgamento que algumas pessoas fazem dela.

Rosa

Meu coração é rosa,

Rosa-branco, rosa-bebê,

Choro rosas vermelhas,

E choro bastante.

Mas dizem por aí

Que minha mente funciona

Em rosa. É mais azul.

Sinto-me assim, sozinha.

Não exatamente num mar de rosas.

Mas quem dera me trouxessem

Rosas e violetas de presente

De aniversário.

Queria andar por aí,

Sentar com alguém.

Ter um mundinho rosa de amor,

Não rosa de vergonha por ser

O que eu sou.

Lágrima

É muito colorida,

Multicolorida.

Rosa, azul, verde-claro.

Cintilante.

Pequena, delicada,

Bela bailarina,

Que dança no ar

Sem saber para onde

O vento a leva.

É minha filha,

Filha dos meus olhos,

Do meu olhar sincero,

Dissimulada?

Quem sabe.

Mas tenta falar,

Minha doce lágrima

De gosto salgado,

Amargo, vulgar.

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