Tenho a necessidade de te encontrar, no meu olhar, no meu infinito, em meu inexplicável. Te encontrar perdida, mas te encontrar, te encontrar tão frágil, mas te encontrar, desde que não te encontre morta de espírito, desde que não te encontre sem esperanças, quero sentir dentro do teu olhar essa vontade inexplicável de viver o hoje, o olhar das flores depois do inverno frio, mesmo que tu não saibas quando, nem onde, ou por quê. Mas saberei que tu existes, que está lá me esperando, enriquecendo e aconchegando-me, morrendo, mas morrendo ao meu lado, que não deixas de acreditar que o dia de amanhã possa ser feliz, mas principalmente: que não deixas de acreditar que o segundo seguinte possa mudar tua vida, teu martírio, teu inconseqüente e súbito desaparecimento. Quero te encontrar tão desesperadamente que ouço o vento sussurrar o teu nome quando ando sozinha, sussurra um sussurro carregado, e passa por mim sem notar o mal que me fez. Preciso de ti, por favor, volte, por favor, não me deixe alma minha, amor meu, meu, meu, e de mais ninguém, e do mundo inteiro, amor partido, de flores e risos, mas meu amor, porque assim o tenho, meu eterno e perfeito amor, minha outra metade, eu mesma, o começo e o fim da história mal contada, um poema em prosa, eu mesma.