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Posts de Abril, 2008

Vergonha

Vagabunda: que palavra!
Faz furúnculo, calafrios,
Friagem, empesteia,
Corrompe, se esfrega
Em tudo quanto é
Macumba pra apodrecer
A alma da gente.
“Eu jamais” pregam as beatas,
Mas bem que gostariam
De se engraçar pra um
Homem. Algumas até
Para uma mulher,
De sentir aquele calorzinho
Lá do fundo.
Às vezes dá vontade de
Falar pra elas, mas que
Acontece se a gente fala?
Lá vem sermão e exorcismo,
“Tá com encosto”,
Vai entender [...]

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Tarde de inverno

Um pedaço de céu que sempre recordarei, e àquele lugar pertenço de corpo e destino. Dentro dos bosques coloridos, folhas verdes e lírios cintilantes que caem das árvores imensas existe um pedaço de meu coração já esquecido. Lá deixei uma pequena menina que cresceu rodeada de fadas e duendes, e enquanto eu trabalhava para [...]

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Caça-palavras

E um pouco de suplemento,
Mim mesma, um ser único,
De, porém igual,
Tudo e de,
Sem momento para explodir,
Todos, Sem fazer mistura,
Sentido, Sem complemento,
De um pouco de nada também,
Narcisismo.

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Nunca serei a donzela com vestido rendilhado,
Nunca serei de um rei a cortesã mais amada,
Cantarei como gato em telhado,
Que corre e foge de uma botada.

Eu já tentei viajar pelo mundo,
Eu já tentei escutar o vento,
Acabei como um pobre moribundo,
Invadindo festa de casamento.

Que triste a comédia da vida,
Que trágica injustiça,
Pararei de reclamar e tomarei minha bebida,
Puta [...]

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Ibeji

Tem um lugar atrás do armário velho,
Bem fundo na caixinha de música,
Debaixo da canção empoeirada,
Um lugar pequeno para os outros,
Mas imenso pra imaginação deu.
Um vale verde com flores coloridas,
Manchado de tinta a óleo,
Cheirando a verniz de desenho novo.
Eu desenha ele com lápis bem apontado,
Moldando e refazendo as partes imperfeitas,
Acabando ele pouco a pouco.
Tem também criança, [...]

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O passarinho

Havia um passarinho,
Pequeno e dourado,
Que sozinho cresceu,
Numa gaiola de ouro,
Na cozinha da minha casa.
Eu o via ali,
Cantarolando tristonho,
E admirava a melodia,
Que soava no cômodo.
Sentia-me triste,
Por vê-lo solitário cantando,
Sem árvores,
Sem imensos bosques.
Um dia subi numa cadeira,
Alcancei a jaula opressora,
O libertei de seu tormento.
Ele voou livre,
Atravessou a sala, a garagem,
E então foi embora.
No dia seguinte o encontrei,
Mas [...]

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